sábado, 21 de Novembro de 2009

A um dos amores da minha vida - á minha filha Joana

(Joana à esquerda)

Meu amor, há quase uma década que saíste da casa de tua mãe, contudo a ferida provocada pelo vazio que deixaste teima em não cicatrizar. Isto se alguma vez cicatrizar…

Desde o dia em que partiste que deixei de ser “una” porque metade do meu ser morreu nesse fim de tarde do mês de Junho. O meu coração esteve quase a fechar-se para o mundo não fora a existência da tua irmã.

Só te posso dizer que sinto imensas saudades tuas, porque é impossível quantificar o tamanho da minha dor, que não é física.

No entanto tu evitas-me!

Fizeste-te mulher

Raramente nos vemos e sempre que falamos ao telefone tentamos ser breves e formais, para não dizermos uma à outra, frases (que resultam em acusações mútuas) das quais mais tarde, arrependemo-nos sempre. Por isso tenho aceitado o silêncio como prova do meu amor.

Quem dera saber o que se passa no teu coração! Quem sou eu para ti? Uma estranha? Uma inimiga? Às vezes sou assaltada por esta dúvida, que aos poucos vai invadindo e destruindo o meu cérebro, o meu coração, contagiando o meu sangue…

Ainda num passado recente deitavas a cabeça no meu regaço e confidenciavas-me as tuas alegrias e tristezas. Eu afagava-te os cabelos, acalmava os teus ímpetos de adolescente. Sentia-me a mãe mais feliz do universo.

Frequentemente imagino-te a meu lado. Sinto a tua presença oiço as tuas estrondosas gargalhadas e por breves segundos o interior da casa volta a ter vida.

Acordo suavemente deste sonho. Parece-me ouvir ao longe a tua voz…

Sei que estás bem, o que me deixa mais tranquila.

Provavelmente já te esqueceste dos momentos que passamos as três, (dos bons e dos menos bons)… sabes, quando me refugio no meu mundo, vem-me à memória as inúmeras histórias contadas na tua “língua de trapos”. Lembras-te de quando assinaste uma revista em meu nome para adoptarmos uma criança da Bósnia? E o teu amigo Flávio que queria à viva força ir viver connosco porque não tinha um lar? E os animais abandonados que escondias no sótão da nossa casa, e, que carinhosamente cuidavas? O teu lado altruísta falava sempre mais alto.

Minha querida são estas lembranças que me fazem sentir viva.

Cresceste! Pediste-me para deixar de comprar as revistas que coleccionavas com as fotos do teu ídolo – Jon Bon Jovi.

Os meus beijos, as minhas carícias começaram só a ser aceites longe dos olhares dos teus amigos, o meu colo continua disponível para ti. Sempre!..

És feliz com o caminho que decidiste trilhar. Talvez em determinado momento eu tenha sido uma espécie de barreira na tua vida. Ou quem sabe se o facto de te amar tanto, de te querer tanto e ter tanto medo de te perder, ocupei indevidamente o teu espaço. O espaço que só a ti pertence e que estava destinado ao teu crescimento como pessoa?!

Apesar de hoje seres uma senhora enfermeira continuas a crescer, porque é inerente ao ser humano. “Aprender até morrer” – diz o povo.

Sei que vais desempenhar bem as tuas funções, porque estás a fazer exactamente aquilo que queres, e porque ajudar os outros está-te no sangue.

Feliz aniversário meu amor.

Da tua mãe


(2000, revisto em Novembro2009)



sábado, 14 de Novembro de 2009

Santa Clara-a-Velha de Coimbra - Coro dos Antigos Orfeonistas

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

ANIMAIS vs Golfinhos


"Pode-se observar anualmente este dantesco espectáculo nas ilhas Feroe, Região Autónoma da Dinamarca.

Trata-se de uma festa anual, onde os rapazes participam activamente para manifestar a sua passagem à idade adulta.

É ESTA UMA DAS NAÇÕES MAIS AVANÇADAS DO MUNDO?!"


quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Poema V

Hilda Hilst

A Federico García Lorca


Companheiro, morto desassombrado, rosácea ensolarada
quem senão eu, te cantará primeiro. Quem senão eu
pontilhada de chagas, eu que tanto te amei, eu
que bebi na tua boca a fúria de umas águas
eu, que mastiguei tuas conquistas e que depois chorei
porque dizias: “amor de mis entrañas, viva muerte”.
Ah! Se soubesses como ficou difícil a Poesia.
Triste garganta o nosso tempo, TRISTE TRISTE.
E mais um tempo, nem será lícito ao poeta ter memória
e cantar de repente: “os arados van e vên
dende a Santiago a Belén”.


Os cardos, companheiro, a aspereza, o luto
a tua morte outra vez, a nossa morte, assim o mundo:
deglutindo a palavra cada vez e cada vez mais fundo.
Que dor de te saber tão morto. Alguns dirão:
Mas se está vivo, não vês? Está vivo! Se todos o celebram
Se tu cantas! ESTÁS MORTO. Sabes por quê?

“El passado se pone
su coraza de hierro
y tapa sus oídos
con algodón del viento.
Nunca podrá arrancársele
un secreto.”


E o futuro é de sangue, de aço, de vaidade. E vermelhos
azuis, braços e amarelos hão de gritar: morte aos poetas!
Morte a todos aqueles de lúcidas artérias, tatuados
de infância, de plexo aberto, exposto aos lobos. Irmão.
Companheiro. Que dor de te saber tão morto.


O poema acima foi publicado no livro "Poemas aos homens de nosso tempo”, Ed. Globo, São Paulo - 2003, pág. 109.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Cortaram três árvores



Eram tres.

(Vino el dia con sus hachas.)

Eran dos.

(Alas rastreras de plata.)

Era uno.

Era ninguno.

(Se quedó desnuda el agua.)

[poema de Federico García Lorca]

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Desassossego


A minha dor no corpo é por carregar um peso que não é meu, de uma culpa que não é minha mas que alguém todos os dias, todos os minutos, todos os segundos fazia questão de lembrar-me que eu era a própria culpa.

Os manipuladores fazem isso tiram-nos a iniciativa, o prazer de criar. Castram-nos a alegria, a sabedoria e o prazer do conhecimento.

Mas quem?

Quem me manipula desde criança que me faz pensar que é melhor estar calada e pertencer ao rebanho, acorrentada a um conforto fictício?

Quando falava ou dava opiniões eram as opiniões da minha mãe e da minha irmã que se ouviam.

Mesmo agora, adulta, quando alguém me elogia penso que estão a falar com a pessoa errada, que se enganaram ou que estão a ser condescendentes.

Os meus filhos deram-me muito. Durante algum tempo acreditei que poderia ser eu a criadora, a artista, a poetisa.

Interrogo-me de onde partiu este pecado que me tem acompanhado na sombra.

Da minha família?

Da minha mente que me traiu pensando eu que era ela que me governava?

Contudo hoje sei que sou mais do que pareço ser. Sei que posso entregar-me sem ser usada.

(texto da minha amiga Rita C.)

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Amizade

Ao separamos o Trigo do Joio, é necessário termos em atenção o estado da peneira não vá ela deixar passar as boas sementes, essenciais para uma boa colheita no próximo ano.

Assim é a Amizade