Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso
Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio
É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou
Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna
Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo
Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
Nunca chegamos ao fundo da nossa solidão ...
ResponderEliminarAbraço.
Olá Carmo
ResponderEliminarA solidão "alimentada" com recordações...
Bjs.
No mundo desconhecido das nossas (in)definições há sempre um mas, qualquer coisa que nos escapa, que nos ultrapassa... E, de visível, apenas fica a voz do poeta.
ResponderEliminarbeijo :)
Antecipou-me a rota de Moçambique
ResponderEliminaresse "caminho do meu navegar"
onde encontrarei este poeta
mesmo que o não veja
leio-lhe os poemas
e prometo repetir este
que é lindo...
É um dos poemas mais bonitos de Mia Couto!
ResponderEliminarA solidão torna-se "mais só" com o cair da noite envolta no silêncio que abre os seus panos escuros...Como entendê-la? Só mesmo nos versos de um poeta que tem a dimensão de um país.
Beijo e bom Domingo.
Graça
A noite e os seus panos escuros tecendo a solidão.
ResponderEliminarA beleza das palavras de Mia Couto.
Poema para ler e reler tentando navegar no tempo, na saudade e nos espelhos onde nos retratamos.
Desconhecia a poesia do Mia...
ResponderEliminarCarmo
ResponderEliminarMinha amiga
Obrigada pelo Mimo.
Nesta altura faz bem sentir um carinho.
Um beijinho
Claro que gosto o Mia Couto, mas o comentário vai para o Jacques Brel.
ResponderEliminarEste "Ne me quittes pas" é para mim a melhor interpretação de todos os tempos de um cantor ! Visto, sente-se e vê-se o sentimento que ele imprime a cada palavra ! É tudo profundamente sentido por era real e ainda muito presente.
Um beijo Carmo !
Olá Carmo
ResponderEliminarSempre tive curiosidade de ler Mia Couto
Vai ser desta:)
boa semana.
beijinhos
Passei para de deixar um beijo e desejar boa semana.
ResponderEliminarGraça
É sempre um momento único e lindo ler Mia Couto, um momento profundo e que nos transmite a dimensão exacta dos sentimentos.
ResponderEliminarDeixo beijinhos e votos de boa semana.
Branca
Carmo!
ResponderEliminarComo sempre Belíssimo...
Especial...só o poeta pode tem esse talanto.
Boa semana.
Bjs.
Tão bom entrar aqui e ouvir a voz do Mia num dos seus poemas mais belos...
ResponderEliminarBeijinho e boa semana :)
Mia Couto! Palavras para quê?
ResponderEliminarFoi bom ter partilhado estes momentos contigo!
Beijos...
AL
Olá, boa noite!
ResponderEliminarPassei para a habitual leitura...
mas fico a ouvir Jacques Brel...
O verdadeiro amor não se conhece por aquilo que exige, mas por aquilo que oferece.
ResponderEliminarBjs com carinho
Carmo vim ler-te e agradecer as tuas visitas. Este poema de Mia Couto é lindíssimo. Sempre gostei da solidão que traz a noite, daquele silêncio e daquela paz, faz-me criar. Pena que não possa usufruir completamente do que ela nos proporciona. É essencial, para mim dormir e quem trabalha não se pode dar ao luxo de estar noite dentro. Beijinhos
ResponderEliminar'Solidão:
ResponderEliminarOnde as paredes esmagam,
e as sombras são o destino;
o canto dos pássaros silêncios,
e os silêncios são gritos!
E eu... sim, quem sou eu nesta agonia?
Apenas... um rio sem nascente, na margem da vida,
um barco no deserto, em busca de ti!'
Mais solidão... não!
Lindo este texto de Mia Couto.
Beijo de muito carinho, Carmo.
Carlos
*
ResponderEliminaradoro Mia Couto,
,
Velho, não.
Entardecido, talvez.
Antigo, sim.
Me tornei antigo
porque a vida,
tantas vezes, se demorou.
E eu a esperei
como um rio aguarda a cheia.
,
in-Mia Couto
,
conchinhas,
,
*
...simplesmente grato pela apartilha!
ResponderEliminarOtimo blog, estou a seguir....
ResponderEliminarA solidão nos traz inspirações perfeitas!
ResponderEliminarbom ler Mia.
ResponderEliminarobrigada
brisas doces para ti*
As palavras de Mia Couto são a companhia da solidão. É poesia que nos preenche e aconchega!
ResponderEliminarBela escolha!
Beijinho
Mil portas abrem a solidão, é uma hospede que não quer ir embora, beijinhos Carmo. Boa semana.
ResponderEliminarCARMO
ResponderEliminarFeliz também por te ver no meu canto...
o meu livro
Caminhei... Caminhando...
é um pouco de mim vou caminhando com muitas pedras no caminho mas eu consigo saber rir quando dói...e vou caminhando com a certeza que o faço por mim sem atropelar ninguem e assim o caminho torna-se mais leve...
Um beijo
Carmo,
ResponderEliminarEscolheu lindamente. Há tanto em Mia Couto...!
Beijo :)
É muito bom,
ResponderEliminarsim senhor!
Estive também a ver a dança!
É de excelência!
Beijinhosss