
…O poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama poema, a si próprio nunca se escreve com p, o poema dentro de si é perfume e é fumo, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo o que quero aprender se o que quero aprender é tudo, é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento, não é um torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre os telhados na hora em que todos dormem, é a última lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angustia, esperança.
O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares onde sou, o poema sou eu, as tuas mãos nos meus cabelos, o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu só sei escrever o seu sentido.José Luis Peixoto, in "A Criança em Ruínas"
Carmo,
ResponderEliminarComeçar o ano com José Luís Peixoto é bom presságio.
Beijo :)
Carmo, como bem diz Mário Quintana, "Quem faz um poema abre uma janela." Então... José Luís Peixoto abre-nos um mundo de emoções que nos desafiam à descoberta!
ResponderEliminarParabéns por esta naravilhosa "entrada" em 2011!
Beijinho e Feliz Ano Novo!
Ser poema
ResponderEliminaré ser assim
e é assumi-lo
como lema
Boa?
Olá Carmo
ResponderEliminarParabéns por este post.
Um bom ano 2011 para si.
beijinhos
O poema nasce num beijo sem palavras nem letras perdidas.
ResponderEliminarÉ um grito de silêncio que corre nas veias que formam os livros onde correm rios de suaves cantos
Bonita escolha
Poema não se define.
ResponderEliminarSe sente.
Beijinho Carmo e um ano cheio de paz.
Que suaves ventos soprem
ResponderEliminarsobre o seu cabelo,
e a sua vida,
neste novo ano de 2011!
Saudações poéticas
Olá Carmo
ResponderEliminarComeçaste o ano com um post de luxo!
Parabéns pela escolha.
Bom Ano 2011.
Bjs.
...bela maneira de começar o ano!
ResponderEliminarJosé Luis Peixoto, é tudo de bom,
e vc uma linda!
bjbjbj
Feliz 2011, querida!
Olá, post Espectacular....
ResponderEliminarFeliz Ano Novo....
Cumprimentos
que 2011 seja um ano
ResponderEliminarsentido
e com múltiplos sentidos
*abraço*
Nesse lindo poema rejubilei...
ResponderEliminarFELIZ ANO 2011.
Bjs
Que bela escolha, o J. L. Peixoto é um autor que muito gosto e este excerto é lindo!
ResponderEliminarBeijo, querida Carmo, e bom resto de semana.
Passei aqui lendo. Vim lhe desejar um Tempo Agradável, Harmonioso e com Sabedoria. Nenhuma pessoa indicou-me ou chamou-me aqui. Gostei do que vi e li. Por isso, estou lhe convidando a visitar o meu blog. Muito Simplório por sinal. Mas, dinâmico e autêntico. E se possivel, seguirmos juntos por eles. Estarei lá, muito grato esperando por você. Se tiveres tuiter, e desejar, é só deixar que agente segue.
ResponderEliminarUm abraço e fique com DEUS.
http://josemariacostaescreveu.blogspot.com
"o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu só sei escrever o seu sentido."
ResponderEliminarCarmo,
Este excerto que escolheste do JL Peixoto é lindissimo. Eu destaco a última parte...
Beijos!
AL
Querida Carmo,
ResponderEliminarQue 2011 seja um ano de poesia em teu coração.
Que teus sonhos seja realizado e que em tua casa sempre haja, saúde,felicidade,paz e muita saúde
Mil beijos
Rachel
" O poema sabe, o poema conhece-se ... "
ResponderEliminarJLP
E eu Carmo, tomo a ousadia de replicar...
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E só ele sabe de onde vem e porque nasce, porque canta e ri e chora, tantas vezes. E sabendo tudo isso ele próprio, em cada olhar, se esquece do que já conhece e volta a saber-se de novo.
Um beijinho e o meu agradecimento por tão especial partilha
Tenho o prazer de conhecer pessoalmente, o José Luis Peixoto. Grande poeta e este seu poema deve ser um dos melhores dele, pelo menos no meu conceito.
ResponderEliminarParabéns querida Carmo pela tua escolha. É um poeta actual e nem sempre quem tem o dever de divulgar o faz. É o país que temos.Só se dá o valor quando se morre.
Bom 2011, com muita poesia.
Bjito amigo
Óptima escolha de José Luis Peixoto e como ele diz bem o que o poema é...Afinal não são letras e nem palavras... são sentimentos, rostos que se multiplicam quando estamos sozinhos, água que cai da nascente dos nossos olhos e é céu que se encontrou nos braços de um outro!
ResponderEliminarPara mim, este é o melhor de Luis Peixoto! Parabens pela escolha
beijos
Graça
Literatura é, antes de tudo, abrir as asas à liberdade!
ResponderEliminarGostei e sigo.
Abs,
Sim, Carmo, o poema é a natureza, os sonhos, as mulheres, os silêncios, os vazios... É tudo e nada, é sentires, paixões, desesperos, angustias... Um poema tem sempre dono, mesmo quando o dono não existe.
ResponderEliminarUm poema é um sonhar de ilusões, uma ficção de paixões...
Beijo, querida Carmo.
Carlos
Um olhar sobre o poema, que existe porque o sentimos em nós, nos outros...
ResponderEliminarBela postagem!
Beijinho
Lindo!Excelente post como não poderia deixar de ser.Um bom 2011 com escelente posts.
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