Domingo, 2 de Janeiro de 2011

O Poema


O poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama poema, a si próprio nunca se escreve com p, o poema dentro de si é perfume e é fumo, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo o que quero aprender se o que quero aprender é tudo, é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento, não é um torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre os telhados na hora em que todos dormem, é a última lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angustia, esperança.

O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares onde sou, o poema sou eu, as tuas mãos nos meus cabelos, o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu só sei escrever o seu sentido.

José Luis Peixoto, in "A Criança em Ruínas"

23 comentários:

  1. Carmo,
    Começar o ano com José Luís Peixoto é bom presságio.

    Beijo :)

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  2. Carmo, como bem diz Mário Quintana, "Quem faz um poema abre uma janela." Então... José Luís Peixoto abre-nos um mundo de emoções que nos desafiam à descoberta!
    Parabéns por esta naravilhosa "entrada" em 2011!
    Beijinho e Feliz Ano Novo!

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  3. Ser poema
    é ser assim
    e é assumi-lo
    como lema

    Boa?

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  4. Olá Carmo

    Parabéns por este post.

    Um bom ano 2011 para si.

    beijinhos

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  5. O poema nasce num beijo sem palavras nem letras perdidas.
    É um grito de silêncio que corre nas veias que formam os livros onde correm rios de suaves cantos

    Bonita escolha

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  6. Poema não se define.
    Se sente.

    Beijinho Carmo e um ano cheio de paz.

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  7. Que suaves ventos soprem

    sobre o seu cabelo,

    e a sua vida,

    neste novo ano de 2011!

    Saudações poéticas

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  8. Olá Carmo

    Começaste o ano com um post de luxo!

    Parabéns pela escolha.

    Bom Ano 2011.

    Bjs.

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  9. ...bela maneira de começar o ano!

    José Luis Peixoto, é tudo de bom,
    e vc uma linda!

    bjbjbj

    Feliz 2011, querida!

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  10. Olá, post Espectacular....
    Feliz Ano Novo....
    Cumprimentos

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  11. que 2011 seja um ano
    sentido
    e com múltiplos sentidos


    *abraço*

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  12. Nesse lindo poema rejubilei...
    FELIZ ANO 2011.
    Bjs

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  13. Que bela escolha, o J. L. Peixoto é um autor que muito gosto e este excerto é lindo!

    Beijo, querida Carmo, e bom resto de semana.

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  14. Passei aqui lendo. Vim lhe desejar um Tempo Agradável, Harmonioso e com Sabedoria. Nenhuma pessoa indicou-me ou chamou-me aqui. Gostei do que vi e li. Por isso, estou lhe convidando a visitar o meu blog. Muito Simplório por sinal. Mas, dinâmico e autêntico. E se possivel, seguirmos juntos por eles. Estarei lá, muito grato esperando por você. Se tiveres tuiter, e desejar, é só deixar que agente segue.
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  15. "o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu só sei escrever o seu sentido."

    Carmo,
    Este excerto que escolheste do JL Peixoto é lindissimo. Eu destaco a última parte...

    Beijos!
    AL

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  16. Querida Carmo,
    Que 2011 seja um ano de poesia em teu coração.
    Que teus sonhos seja realizado e que em tua casa sempre haja, saúde,felicidade,paz e muita saúde
    Mil beijos

    Rachel

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  17. " O poema sabe, o poema conhece-se ... "
    JLP

    E eu Carmo, tomo a ousadia de replicar...

    ---
    E só ele sabe de onde vem e porque nasce, porque canta e ri e chora, tantas vezes. E sabendo tudo isso ele próprio, em cada olhar, se esquece do que já conhece e volta a saber-se de novo.

    Um beijinho e o meu agradecimento por tão especial partilha

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  18. Tenho o prazer de conhecer pessoalmente, o José Luis Peixoto. Grande poeta e este seu poema deve ser um dos melhores dele, pelo menos no meu conceito.
    Parabéns querida Carmo pela tua escolha. É um poeta actual e nem sempre quem tem o dever de divulgar o faz. É o país que temos.Só se dá o valor quando se morre.
    Bom 2011, com muita poesia.
    Bjito amigo

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  19. Óptima escolha de José Luis Peixoto e como ele diz bem o que o poema é...Afinal não são letras e nem palavras... são sentimentos, rostos que se multiplicam quando estamos sozinhos, água que cai da nascente dos nossos olhos e é céu que se encontrou nos braços de um outro!
    Para mim, este é o melhor de Luis Peixoto! Parabens pela escolha
    beijos
    Graça

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  20. Literatura é, antes de tudo, abrir as asas à liberdade!

    Gostei e sigo.

    Abs,

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  21. Sim, Carmo, o poema é a natureza, os sonhos, as mulheres, os silêncios, os vazios... É tudo e nada, é sentires, paixões, desesperos, angustias... Um poema tem sempre dono, mesmo quando o dono não existe.
    Um poema é um sonhar de ilusões, uma ficção de paixões...
    Beijo, querida Carmo.
    Carlos

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  22. Um olhar sobre o poema, que existe porque o sentimos em nós, nos outros...

    Bela postagem!

    Beijinho

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  23. Lindo!Excelente post como não poderia deixar de ser.Um bom 2011 com escelente posts.

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